Na maioria das cidades do interior, não há salas de cinema em funcionamento. Elas estão, em grande parte, restritas às capitais, sobretudo dentro de shoppings centers. Segundo dados do extinto Ministério da Cultura, apenas 14% dos brasileiros vão ao cinema. Essa constatação está presente em um estudo do pesquisador Frederico Barbosa, que aponta como um dos principais motivos a dificuldade de acesso, devido à “falta de equipamentos e de oferta de bens culturais”.
Infelizmente, no município de Bezerros a realidade não é diferente. Desde a extinção da última sala de cinema, décadas atrás, a população vem se distanciando cada vez mais da linguagem audiovisual. E pensar que o município já teve três cinemas: o Alvorada, o Safira e o Moderno. Hoje, restam apenas fotografias e memórias das gerações que frequentaram esses espaços.
Diante desse contexto, ter um local onde as pessoas possam se reunir para assistir a filmes e debater sobre o universo audiovisual é fundamental — especialmente diante da grande demanda existente no município. Iniciativas como essa são necessárias para transformar o cenário atual. Desde 2017, Bezerros ensaia uma reaproximação com o cinema por meio do Curta na Serra – Mostra de Cinema ao Ar Livre, que realiza exibições no distrito de Serra Negra, ponto turístico da cidade. A iniciativa é fantástica, mas ainda pontual, acontecendo apenas uma vez por ano.
Foi nesse cenário que surgiu o Cineclube Angu, com encontros quinzenais que promovem exibições de curtas e longas-metragens. A programação é voltada à produção audiovisual nordestina, incentivando o público a se familiarizar com a rica e diversa cena cultural da região.
O espaço que sedia o cineclube éi cedido pela Prefeitura Municipal de Bezerros. O nome Angu é uma homenagem ao prato típico nordestino, que também remete ao surgimento dos papangus, figuras tradicionais do carnaval local. Além das sessões quinzenais, o cineclube também oferecerá atividades formativas.